
Por Leonardo Coelho
Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que ambos os lados tem razão em suas justificativas pró e contra diploma, afinal de contas esse é um assunto complicado demais para ser generalizado à algumas afirmações tacanhas que pessoas dos dois lados estão praguejando, seja na internet, na rua, no bate boca, aonde quer que seja. O que quero tentar nesse texto é minimamente encontrar um julgamento que não esteja carregado de emoção, como as que eu tenho ouvido até agora. A função de um jornalista, sem querer dar lição de moral, é, antes de qualquer coisa, analisar friamente os fatos e, somente após a exposição desses, poder dar a sua opinião. As afirmações feitas a seguir não são minhas, eu as retirei de post, blogs e artigos que eu julguei interessante avaliar.
1- “A falta do diploma de jornalista só impulsiona a queda dos nossos salários na troca de qualidade por quantidade”
Esse é um argumento semiverdadeiro. Realmente, com a falta de diploma, especifico, muitos profissionais de várias outras áreas entrarão no mercado jornalístico, o que acabará fatalmente baixando os salários – não muito- por conta da concorrência maior. Entretanto, quando se fala “qualidade por quantidade” fico com um pé atrás. Não é de hoje que se reclama da falta de qualidade dos jornalistas, então a entrada de pessoas qualificadas – digo isso porque sinceramente duvido que entrarão “quaisquer um” nos jornais – fará simplesmente aumentar o nível da cobertura destes. Esse medo da classe, apesar de compreensível, é insustentável frente a outros argumentos. Desde quando um diploma significa competência na área jornalística? Até parece que todas as faculdades são antros de excelência e distribuição de profissionais altamente qualificados e preparados, tanto eticamente quanto pro dia-a-dia. Não são, muito pelo contrário, boa parte desse exército sai muito pouco preparada para as exigências atuais. Ainda sim, acho importante a instituição de um curso de jornalismo, só que um pouco diferente. Para quem quisesse fazer jornalismo, ciência da comunicação social, as faculdades continuariam existindo como sempre existiram, e para quem faz outra graduação – geografia, por exemplo – e quisesse ser “jornalista” (na verdade um geógrafo com licença temporária de jornalista), existiriam cursos básicos e intensivos de ética e teoria jornalística que durariam menos tempo que a graduação normal, uns dois anos no máximo. Tais cursos poderiam ser financiados pelas próprias faculdades ou pela associação da classe, e para estes não-jornalistas poderia ser feito uma prova de admissão que lhe desse carteira de jornalista que valesse por um ano, até a próxima prova. Pode ter certeza que muita gente se inscreveria e a própria base sindical aumentaria, tais quais os ganhos monetários, que poderiam ajudar ainda mais nas lutas por melhores condições dos verdadeiros jornalistas
2-Essa decisão foi um retrocesso à qualidade da informação, um desrespeito à categoria (estudantes e formados) e vai deixar o patronato bem à vontade para contratar todos os apadrinhados, sem a mínima qualificação, para ocupar o lugar de quem se qualificou durante anos nas universidades.
O patronato pode não ligar para a classe dos jornalistas, mas vocês realmente acham que eles vão colocar qualquer um em um lugar de tamanha importância? Lembrando que seria muito fácil para qualquer jornalista de verdade averiguar e relatar esse fato aos meios de comunicação, fica difícil imaginar que um patrão seja burro o suficiente para fazer isso sabendo que um profissional incapaz vai lhe trazer apenas prejuízo. Isso é simplesmente um desvario ilógico, mas incrivelmente atraente. Com certeza profissionais de outras áreas vão se candidatar às nossas áreas, porém o contratante verá no diploma de jornalismo o diferencial positivo para a vaga, então, na maior parte dos casos não há o que se preocupar com relação a isso.
3-O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), da Declaração Americana de Direitos Humanos, conhecida também como Pacto de São José da Costa Rica (1992) e da Declaração Internacional de Chapultepec (1996). Todas elas pregam a liberdade de expressão e a abolição de controles oficiais ou particulares do papel da mídia.
Esse é um argumento interessante, e que normalmente é citado junto com o fato de que em boa parte do mundo essa imposição pelo diploma de jornalismo não existe. Porém o caso no Brasil é um pouco especial, pois tivemos um passado recente em que a imprensa, e a própria educação, estiveram cerceadas durante décadas. Claro que isso é o ideal, mas no caso do Brasil é hoje praticável? Tenho como opinião que o quadro ainda não é o melhor, mas que essa medida do STF pode trazer benefícios a longo prazo, não só para a população mas também para a própria classe.
4- Muitos protestam por ter gasto dinheiro numa faculdade cujo diploma se tornou desnecessário, ou por ter perdido anos de sua vida no estudo. Estão errados: exercer o jornalismo exige conhecimento, não um canudo de papel com o nome escrito em letras góticas. Se a faculdade de jornalismo der este conhecimento, terá cumprido sua missão, terá dado retorno ao investimento de tempo e de dinheiro. Quem exerce dignamente a profissão de jornalista, com ou sem diploma, jornalista é.
Sem comentários, concordo plenamente.
5- na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.
Esse argumento é bom, mas possui um elemento que pode enganar. Os tais 40% tem que idade? Pergunto isso não por curiosidade, mas porque isso é algo de suma importância. Todo a polêmica diz respeito aos jornalistas jovens, que tiveram a oportunidade de entrar em uma faculdade especifica de jornalismo em sua vida acadêmica. Não adianta nada que esses 40% sejam compostos de monstros sagrados do jornalismo como Fernando Gabeira, Juca Kfouri, Ricardo Kotscho, que viveram e estudaram numa época completamente diferente. Pegue voce mesmo esses jornais e confira.
Links interessantes
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543DAC068
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543DAC001
Tentarei colocar mais argumentos prós e contras posteriormente… Quem leu pode, se quiser, postar sua opinião.


Equipe Entre[Telas]
A POSIÇÃO DA FACHA SOBRE A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, QUE DERRUBOU A EXIGÊNCIA DO DIPLOMA PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA:
Prezado ALUNO,
Diante de inúmeros e-mails que recebemos, dando conta de um misto de indignação, revolta, perplexidade, dúvidas e insegurança de muitos de nossos alunos, queremos, neste momento, nos posicionar a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão de Jornalista.
A FACHA, ao longo de mais de três décadas, tem uma história marcada no campo da Comunicação Social. Nossa preocupação sempre foi e sempre será com o a valorização do ser humano e a qualidade e a excelência do ensino. Nesse sentido, cabe aqui alguns esclarecimentos que podem sinalizar para esclarecer e acalmar os ânimos acirrados, sobre a recente decisão dos ministros, em Brasília.
O STF entendeu que o decreto 972 de 1969, que fixava regras para o exercício da profissão não tem amparo na Constituição. Por isso, os ministros acharam que não cabe ao Estado regular a profissão, que deve se autorregular. Mais que isso: entenderam que a exigência viola a liberdade de expressão. Não vamos aqui questionar a decisão do STF. Vamos sim, ficar cada vez mais estimulados a oferecer um ensino de qualidade, por entendermos que o próprio mercado vai regular a capacidade dos profissionais que serão admitidos em seus quadros. Não vamos jamais nos afastar da convicção de que esse ensino de qualidade vai ser o diferencial.
Nosso curso é conhecido e divulgado exatamente pelo corpo docente que dispõe.
Entendemos também que nada vai mudar de forma profunda. As empresas jornalísticas já se posicionaram. Vão optar por alunos qualificados, ou seja, aqueles que passam pela faculdade, certamente, estarão mais qualificados.
Entendemos também que essa decisão nos empurra para uma adequação curricular. Nada que mexa muito na estrutura atual. Apenas uma adaptação a uma nova situação. Os alunos, portanto, não devem se apavorar com essa decisão do STF. Concluam normalmente seu curso, sem traumas ou preocupações.
A Coordenação de Jornalismo da FACHA, preocupada com seus alunos, está articulando uma série de palestras e debates com representantes da Associação Brasileira de Imprensa, a Federação Nacional de Jornalistas e o Sindicato Municipal dos Jornalistas do Rio de Janeiro, logo para a primeira semana de aulas no início do próximo semestre, a fim de tirar dúvidas e esclarecer pontos obscuros da decisão dos ministros do STF.
Para encerrar, nos EUA e em alguns países da Europa isso já ocorre, ou seja, não há a exigência do diploma de jornalista. Lá a profissão não é regulamentada. Em um plano doméstico, Publicidade e Cinema também não. Vamos, portanto, manter a calma. O momento é de reflexão e debate acerca do assunto, que é novo para todos nós.
Célio Campos - Coordenador de Jornalismo da FACHA
Da equipe Entre[Telas]:

Equipe Entre[Telas]
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